a-melhor-experiencia-de-viagem-970x300_semtxt.jpg

Planejar uma viagem é simples, o extraordinário é construir experiências!

O gigantesco Museu do Holocausto em Washington, DC

No fim de semana que fui passear em Washington, DC com minhas amigas e já comecei a contar no post anterior, coloquei como prioridade uma visita ao United States Holocaust Memorial Museum, um dos maiores museus do mundo em memória a todas as pessoas que sofreram com o terror do holocausto nos anos 30 e 40 durante a Segunda Guerra Mundial.

Eu já tive a oportunidade de visitar diversos museus e exposições do tipo, ainda mais em viagens que fiz para a Europa, principalmente Alemanha, mas nunca havia visitado um museu que tenha me prendido tanto a atenção como esse de Washington, DC.

Sua construção foi aprovada pelo congresso americano nos anos 80 e só abriu em 1993, quase dez anos atrás. É um dos museus mais populares do Smithsonian Institute e agora, depois da minha visita, consigo entender o motivo. Calculamos uma visita de, no máximo, duas horas ao museu do holocausto no nosso itinerário, mas acabamos ficando mais de 4 horas lá dentro, totalmente presas pela quantidade de informações e chocadas com o que um dia seres humanos foram capazes de fazer.

Havia muitas famílias com crianças em várias exibições do museu, o que não achei muito apropriado, afinal a história do holocausto na Segunda Guerra Mundial é muito intensa e o museu fez questão de expor fotos e artefatos reais daquela época, que deixam qualquer pessoa arrepiada. Porém, se você estiver com crianças e mesmo assim não quer deixar de passar por lá, há uma exibição dedicada a elas chamada "Remember the Children: Daniel's Story". Essa parte do museu apresenta a história do Holocausto de um jeito que as crianças conseguem entender e foi aprovada por vários psiquiatras infantis. Milhões de jovens, pais e professores visitam essa exibição anualmente e realmente é muito legal e muito bem feita. Mesmo sendo para crianças, foi uma das exibições que mais gostei, muito interativa e muito clara.

Daniel é uma criança judia que sobreviveu ao Holocausto e conta sua vida num diário. A exposição representa suas histórias e exibe cada página do seu diário em um cômodo diferente. Assim, conseguimos ver como era a vida do Daniel antes da guerra começar e como sua família ficou depois que os nazistas chegaram.

Tradução: 1. "Essa é a história de um garoto chamado Daniel e de como ele sobreviveu ao holocausto. [A exposição é] baseada nas histórias de crianças que viveram o Holocausto na Alemanha, o Gueto Lodz e o campo de concentração Auschwitz" 

2. "Querido diário, Eu faço coisas ótimas com a minha família. Eu ajudo minha mãe e Erika a fazerem cookies e bolos - eu lambo toda a tigela! Erika coloca seu nome nos cookies dela. Que bagunça! Mamãe e eu só rimos e rimos. Daniel"

Quando os nazistas começaram a segregar os judeus, até os bancos das praças eram separados

Tradução: 1. REGRAS DO GUETO - Não parar perto da grade - Não falar durante o trabalho - Ninguém é permitido nas ruas depois de escurecer - Saudar os oficiais alemães: tire seu chapéu e abaixe sua cabeça - Jóias não são permitidas: dê todas suas jóias para a polícia"

2. "Querido diário, As coisas estão começando a mudar. Os nazistas estão tomando o controle cada vez mais e mais.  Muitas pessoas estão seguindo suas ideias. Agora, alguns dos meus amigos não vão mais brincar comigo pois eu sou judeu. Me sinto péssimo. Daniel"

3. Essa é uma mensagem deixada ao Daniel por um dos visitantes num mural que tem no final da exposição. A tradução é: "Você sobreviveu ao mau, mas saí dessa vivo. Soletre "evil" ao contrário". Evil, ao contrário, fica LIVE, que significa VIVER. Achei essa mensagem bem legal e criativa.

Outra exibição que tive a oportunidade de ver foi "State of Deception: The Power of the Nazi Propaganda", que fala sobre como Adolf Hitler e o partido nazista disseminaram sua visão para a "construção" de uma nova Alemanha depois de terem perdido a Primeira Guerra Mundial, deixando a população extremamente pobre e sem esperanças. Essa visão incluía a exterminação dos judeus e todas as pessoas que os nazistas consideravam "impuras" ou não pertencentes à raça ariana, como homossexuais, negros, deficientes físicos, ciganos, dissidentes políticos, entre outros.

Nessa exposição também conseguimos ver pôsteres, fotografias, documentários e artefatos raríssimos que contribuíram com a propaganda nazista e levaram o mundo à outra guerra mundial que custou 55 milhões de vidas, principalmente a de 6 milhões de judeus durante o Holocausto.

Como estudante de publicidade e propaganda, achei muito interessante analisar as frases de efeito e imagens usadas nas propagandas nazistas e fiquei imaginando como uma nação inteira pôde ser tão fortemente influenciada por tudo aquilo! É chocante de verdade. Eles vendiam a ideia de exterminar seres humanos do mundo como se vendessem uma geladeira. Impressionante e muito triste :(

A exibição permanente do museu é a mais famosa e é ela quem atrai a maior parte dos turistas, criando uma fila gigantesca na porta que a gente teve que enfrentar! Geralmente, a equipe do museu distribui ingressos com horários específicos para cada grupo de visitantes, assim todo mundo consegue ver tudo com calma, sem enfrentar multidões. Achei muito bem organizado.

Uma das coisas mais interessantes dessa exibição, que minha host mom já havia comentado quando contei que iria lá, é que logo no início dela o pessoal do museu nos entrega um livrinho que parece muito com um passaporte propositalmente. Nele, há informações de uma pessoa de verdade que vivenciou o Holocausto. O passaporte contem o nome da pessoa, sua nacionalidade, religião e uma breve história de sua vida contada em primeira pessoa. Em cada página há uma instrução de quando devemos continuar a ler, pois temos que acompanhar a história da pessoa de acordo com o que estamos vendo na exposição. É muito interativo e nos prende ainda mais a tudo o que vemos por lá.

A exibição permanente ocupa a maior parte do museu, que é gigante, começando no quarto andar e terminando no segundo e é apresentada de uma forma cronológica do Holocausto, desde a época em que começou e quando terminou, que foi com a chegada dos soldados americanos nos campos de concentração e, em seguida, com o fim da guerra. Pesquisei por aí e fiquei sabendo que a história é apresentada através de mais de 900 artefatos, 70 monitores de vídeo e quatro salas que incluem filmes, histórias e testemunhos. Infelizmente, só tivemos tempo de assistir a um deles, mas eu ficaria lá a tarde inteira se pudesse.

O quarto piso foca o início do holocausto que ocorreu entre os anos de 1933 e 1940, quando os judeus começaram a ser atacados e os nazistas invadiram a Polônia. O terceiro piso é o mais chochante, pois apresenta os fatos ocorridos entre os anos de 1940 e 1945, os campos de concentração nazistas e os guetos presentes em grande parte da Europa. O segundo e último piso da exposição conta sobre a resistência dos judeus sob o regime nazista, a chegada dos soldados americanos, o fim da Segunda Guerra Mundial e os anos que vieram depois.

E lembram-se do livrinho em formato de passaporte que eu comentei? Então, quando a exposição acaba e você já está extremamente chocado pelo que acabou de ver, você vira a última página e descobre se a pessoa que você acompanhou sobreviveu ou não ao Holocausto e o motivo. A minha era uma mulher lituana que no final da guerra conseguiu imigrar para os Estados Unidos e sobreviveu ao terror dos nazistas. Fiquei feliz com isso, parecia até que eu a conhecia de verdade. Que sensação estranha!

Esses são os VERDADEIROS sapatos de algumas das milhões de pessoas que morreram nas câmaras de gás durante o Holocausto. Essa parte do museu é extremamente chocante, pois a quantidade de sapatos é realmente gigante e o cheiro que sentimos quando passamos por lá é inexplicável :(

Enfim, tem mais um montão de coisas que eu gostaria de compartilhar com vocês, mas aí vai perder a graça, né? Em muitas partes do museu era proibido fotografar, então é por isso que esse post está super pobre de imagens, mas pelo menos acho que consigo atiçar a curiosidade de vocês, caros leitores, para verem tudo com os seus próprios olhos se tiverem estômago, é claro.

Ah, tem mais outras coisas que quero comentar antes de finalizar o post:

Coincidentemente, eu visitei o museu na semana do Holocaust Remembrance Day, que é um dia internacional em memória às vítimas do Holocausto (de acordo com o calendário hebreu, é o vigésimo sétimo dia de Nisan, que caiu no dia 19 de abril esse ano) e o museu abre uma área especial para isso. É um lugar com diversas velas e extremamente silencioso. Vi diversas pessoas chorando e se abraçando por lá, provavelmente são parentes de vítimas. Muito, muito triste, gente!!!

O Museu do Holocausto de Washington DC também possui uma área gigante que conta com grande contribuição do governo americano para o combate ao genocídio, que é o termo usado para crimes que tem como objetivo exterminar grupos nacionais, étnicos, raciais e/ou religiosos. Essa também foi uma das partes do museu que mais achei interessante, pois me fez pensar que, mesmo depois do Holocausto e de todo o terror ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, fatos semelhantes continuam ocorrendo no mundo. Um dos genocídios recentes mais conhecidos foi um que aconteceu em Ruanda, na África, em 1994, em que quase 1 milhão de pessoas morreram, principalmente, os pertencentes a um grupo étnico chamado tútsis. Para quem quiser entender mais sobre essa história, assistam ao filme Hotel Ruanda. Eu assisti há muito tempo na escola durante aulas de história em que o professor tentava explicar exatamente o que esse termo genocídio significava. Vale a pena.

Acho que é isso, pessoal!

Esse não é um post muito animador, mas mesmo assim, fico feliz em ter a oportunidade de compartilhá-lo com vocês. A melhor parte de ser intercambista, além de aprender uma língua diferente, é conhecer uma cultura diferente e também a história de outros países, que nem sempre são alegres.

Espero que tenham gostado!

Beijos e até a próxima!

Beatriz Morgado

Beatriz Morgado

Sempre em busca de uma experiência inesquecível, Beatriz, estudante de publicidade e propaganda, resolveu embarcar para os Estados Unidos para ser Au Pair! Acompanhe como ela encara uma rotina cuidando das crianças no estado da Pensilvânia e ainda arruma tempo para estudar francês!

Deixe uma resposta

BUSCAR RESULTADOS PARA: