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Planejar uma viagem é simples, o extraordinário é construir experiências!

O LADO MAIS “PURO” DE PARIS

Franceses chamam de pur beurre (manteiga pura) todo aquele parisiense que nós, em português claro, dizemos ser “da gema”. E talvez poucos arrondissements como o 16eme, onde está a minha escola, seja tão, como dizer, a versão mais pura e (nada) simples da ideia que o mundo tem de uma Paris de raiz. Os clichês estão por toda parte: a poucos metros da France Langue estão o Arco do Triunfo e a Champs-Elysées, mas por razões que transcendem meu conhecimento, estamos a salvo da sarabanda incessante de turistas que transformaram o skyline da cidade com seus paus de selfie sempre em riste. Uma esquina além, duas ruas a direita, uma pracinha depois e... pumba! Oásis!

Em linhas gerais, estamos no bairro mais conservador e nariz em pé de Paris, mas ao penetrar em sua rotina de segunda a sexta-feira, dia após dia de curso, descobre-se que a pose de seus moradores e as vitrines de suas boutiques de luxo são apenas a camada mais superficial de uma área cheia de “controvérsias”. Da mesma forma que o Sena tem seus dois lados e cada um deles divide bem seus habitantes em estilos e filosofias de vida bem diferentes (a grosso modo, a Rive Gauche é dos existencialistas, burgueses e hipsters; e a Rive Droite, onde estamos, é dos materialistas, aristocratas e fashionistas), o 16eme também tem a sua versão mais pé no chão.

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A caminho da France Langue, passo pelo mercadinho filipino da Rue Copernic e compro frutas para minha merenda da tarde; na boulangerie da Rue Boissière, encontrei as melhores baguettes tradition de toda a cidade! E nos bistrôs da Rue Mesnil, tomo o meu café enquanto assisto as mais elegantes velhinhas cruzando a Avenue Bugeaud como se estivessem a caminho de um concerto de ópera com suas peles e joias tão vintage quanto a decoração e os garçons dos restaurantes que servem, à moda antiga, os mesmos pratos da cozinha tradicional francesa.

No coração do 16eme, vivo à margem de sua pompa e circunstância e tenho a sensação, mesmo que passageira, de ser um “parisen pur beurre”. E me derreto toda vez que as luzes do chafariz da Place Victor Hugo se acendem anunciando mais uma noite simples e deliciosa como manteiga no pão.

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