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Planejar uma viagem é simples, o extraordinário é construir experiências!

Como foi meu intercâmbio em Malta

Fala, pessoal! Meu nome é Fábio Martins e nessa edição do Trippers eu vou contar um pouco pra vocês como foi a minha experiência de intercâmbio em Malta.

Malta?

Pois é, no início de 2014 eu já havia visitado vários países e nunca tinha ouvido falar desse lugar. Sequer tinha noção em qual parte do mapa ficava. Quando soube que era um destino de intercâmbio, fiz algumas pesquisas e descobri que, além do maltês, o inglês também é o idioma oficial do país, graças à colonização britânica.

Cabine telefônica Cabine telefônica em Malta: resquícios da colonização britânica no país

Mas o que mais me chamou a atenção foi a sua beleza. Encravada no Mar Mediterrâneo, abaixo da Itália e acima da Tunísia e Líbia, Malta tem um mar azul de encher (e doer) os olhos, praias paradisíacas e calor quase o ano inteiro (quase, vou falar do inverno mais adiante). Como já planejava aprimorar meu inglês, decidi passar cinco meses por aquelas bandas.

Paradise Bay A praia de Paradise Bay, com areia fofa e mar azul

A primeira visão que tive da ilhota foi de lá do alto, da janela do avião. E que visão! É difícil explicar o que eu senti na hora, mas foi algo parecido com atordoamento. Foi estranho, mas ao mesmo tempo extasiante, ver o Mar Mediterrâneo contrastando com as construções da mesma cor de pedra calcária, que formam a paisagem maltesa. Até rolou aquele pensamento: “o que eu estou fazendo aqui?”.  Mas isso é normal quando vai ficar muito tempo longe de casa, pode ter certeza.

Esse sentimento se dissipa rapidinho quando você faz as primeiras amizades. Mesmo em outubro e novembro, onde o restante da Europa já estava congelando, Malta permanecia quente e agradável. Eu ia todos os dias à praia com meus novos amigos, nadava no mar azul, fazia os passeios históricos e culturais (tem sítios arqueológicos mais antigos que as pirâmides do Egito!) e, claro, praticava meu inglês.

Ggantija O templo de Ġgantija fica na ilha de Gozo e foi erguido no período neolítico, entre 3.600 e 3.200 a.C.

Tem muito lugar pra conhecer: a capital Valletta; os templos antigos e a Azure Window (imperdível), na ilha de Gozo; a Blue Lagoon, na ilha de Comino, e muito mais. À noite, pra quem curte uma festa, a região de St. Julian’s é a parada certa.

O tempo passou, o inverno chegou, muitos amigos foram embora – outros chegaram –, mas havia uma coisa que eu não cansava de curtir: a beleza daquele lugar. Costumo brincar que Malta é o país que tem o maior número de belezas naturais por m², pois não é possível que haja tantas coisas belas pra ver em uma área tão pequena.

Azure Window A Azure Window é uma formação rochosa impressionante, de aproximadamente 50 metros

O inverno foi bem gelado. Não era o frio típico europeu, com neve, mas a temperatura ficava frequentemente abaixo dos 10° C e o vento muito forte – por ser uma ilha – fazia até os ossos congelarem. Mas mesmo assim, por pura insistência, eu fazia passeios ao ar livre. Sempre valia a pena. Nessa época também frequentei alguns museus e pude conhecer bem a história riquíssima do país. Muitas guerras foram travadas por lá, inclusive a Segunda Guerra Mundial! Pra quem é apaixonado por história, Malta é um destino perfeito.

Bomba do tamanho de um ser humano Museu em Malta dedicado à resistência do país contra o Eixo na Segunda Guerra Mundial

Quando chegou a hora de voltar ao Brasil, já estava com saudades dos amigos, do arroz e feijão, do Palmeiras e da família, claro. Mas voltei com uma sensação de dever cumprido, não por ter conseguido desenvolver muito bem o inglês, mas por ter passado por essa experiência tão importante (pra não dizer necessária) na minha vida. Voltei outra pessoa, troquei experiências com gente do mundo inteiro e descobri, de uma forma meio confusa, que todo mundo é igual, mas ao mesmo tempo diferente. É difícil de explicar, todos têm as suas preocupações, sonhos e desejos, mas cada um com o tempero da cultura de seu país. Graças a essa experiência, me considero mais maduro, consciente do meu lugar no mundo e aberto a opiniões diferentes.

No livro Mar sem fim, Amyr Klink resumiu muito bem como uma experiência dessas é importante na vida de alguém e eu levo esse trecho como um mantra:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

 

Fábio Souza

Fábio Souza

Fábio Martins de Souza é jornalista e já trabalhou com política, tecnologia e games antes de o destino colocar a sua vida profissional junto ao que mais ama fazer: viajar. Com uma mochila nas costas, percorreu 20 países e, agora, na equipe do STB, compartilha com vocês tudo o que já viu por aí.

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